Do Padrinho:

Coimbra é, e sempre será conhecida, pela cidade que liga pessoas para sempre. Ninguém quer verdadeiramente abandonar Coimbra e o que passamos nesta cidade são memórias de uma vida. Temos a sensação de compreender esta cidade, e fomos aprendendo a conhecê-la, desde os recantos secretos da Alta à Portagem numa tarde de pôr-do-sol. E devemos muito ao Mondego, que nos uniu às pessoas que nos escolheram e que, eventualmente, abriram Coimbra aos nossos olhos. Continue reading “Do Padrinho:”

Ser Jornalista

Chegou ao fim o quarto Congresso de Jornalistas, o primeiro em 18 anos, que trouxe consigo uma onda de obstáculos para os futuros profissionais do meio. Estagiários, parcialidade, dificuldades salariais, sensacionalismo. A luta é diária e o jornalismo “já não é o que era”, o perigo de se associar à profissão é constante e, acima de tudo, a valorização do jornalista está num nível nunca antes visto. E é por isso que eu quero ser jornalista. Continue reading “Ser Jornalista”

De memória embaciada

Hoje é o teu ultimo dia em liberdade. A noite chega-te fria e sufocante e os copos estão embaciados e sonolentos, as tuas amigas já saíram, já foram para as suas vidas sôfregas e amargas que tanto ansiaram com o marido imperfeito que não pediram. A bebida chega-te perto, a liberdade escasseia-te. É o teu último dia, lembra-te. E a cada golada de gelar o peito, os efeitos iam-se alterando, luzes, efeitos, o que é mau parece ser bom e cada linha de silhueta desfocava-se com o olhar baço. És agarrada, e não te importas com quem, és puxada, levada dali sem muita força, e sentes-te bem. Depois, percebes que é o teu último dia sem liberdade. Pavor, raiva, frustração sem reflexos e raiva na alma. Tarde demais, perante tamanha dor e sofrimento embutido de nojo. Liberdade? É a liberdade mental, sem pudor, sem tabu, a liberdade mental que importa. E essa pode ser tão facilmente tirada, onde os nossos pensamentos deixam de ser nossos, mas de outro alguém, violentados como foram. Se nos tiram a nossa liberdade nada somos, meros corpos translúcidos de solidão eterna. Hoje foi o teu último dia em liberdade, e o copo que levavas contigo ritmou o sabor da noite quando se partiu no chão gelado de amarras mentais.

Um ateu de visita a Fátima

26/12/2016

Hoje fui a Fátima, com os meus pais e o meu irmão, apesar de toda a minha contrariedade face à religião (toda ela, não desgosto do Budismo, mas isso é porque não a encaro como religião no seu sentido lato). Fátima é um bocado como qualquer casino de Las Vegas. As pessoas não ganham nada em lá ir, mas vão pelo prazer de serem enganadas. Nada contra, só cai quem quer, claro, ou quem esteja à beira da morte ou qualquer coisa parecida, e então esses pensam: “o que é que vou fazer para ficar melhor da saúde?” “AH, JÁ SEI! Vou descer de joelhos um passadiço gigante e dar 43 voltas à capela e pode ser que fique melhor!”. E depois acabam por morrer, claro, andaram a esforçar-se e o coração não aguenta, mas caso haja uma pessoa (!) que do nada fique melhor e se salve, FOI DEUS, FOI JESUS, NOSSO SALVADOR! Continue reading “Um ateu de visita a Fátima”

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