Arquivo, Poesia

A noite inteira é a hora de todo o poeta

O sol, todos os dias,
Levanta-se,
Deita-se,
E por isso merece esses aplausos,
Que tanto lhe estimam.

Mas o dia é sobrevalorizado,
E é à noite que todos pertencemos,
Digo eu,
Não posso dizer mais que isto,
Porque à noite todos os gatos são pardos,
E de dia nascem cotovias. Continuar a ler

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Arquivo, Crónicas

Do Padrinho:

Coimbra é, e sempre será conhecida, pela cidade que liga pessoas para sempre. Ninguém quer verdadeiramente abandonar Coimbra e o que passamos nesta cidade são memórias de uma vida. Temos a sensação de compreender esta cidade, e fomos aprendendo a conhecê-la, desde os recantos secretos da Alta à Portagem numa tarde de pôr-do-sol. E devemos muito ao Mondego, que nos uniu às pessoas que nos escolheram e que, eventualmente, abriram Coimbra aos nossos olhos. Continuar a ler

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Arquivo, Opinião

Ser Jornalista

Chegou ao fim o quarto Congresso de Jornalistas, o primeiro em 18 anos, que trouxe consigo uma onda de obstáculos para os futuros profissionais do meio. Estagiários, parcialidade, dificuldades salariais, sensacionalismo. A luta é diária e o jornalismo “já não é o que era”, o perigo de se associar à profissão é constante e, acima de tudo, a valorização do jornalista está num nível nunca antes visto. E é por isso que eu quero ser jornalista. Continuar a ler

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Arquivo, Crónicas

De memória embaciada

Hoje é o teu ultimo dia em liberdade. A noite chega-te fria e sufocante e os copos estão embaciados e sonolentos, as tuas amigas já saíram, já foram para as suas vidas sôfregas e amargas que tanto ansiaram com o marido imperfeito que não pediram. A bebida chega-te perto, a liberdade escasseia-te. É o teu último dia, lembra-te. E a cada golada de gelar o peito, os efeitos iam-se alterando, luzes, efeitos, o que é mau parece ser bom e cada linha de silhueta desfocava-se com o olhar baço. És agarrada, e não te importas com quem, és puxada, levada dali sem muita força, e sentes-te bem. Depois, percebes que é o teu último dia sem liberdade. Pavor, raiva, frustração sem reflexos e raiva na alma. Tarde demais, perante tamanha dor e sofrimento embutido de nojo. Liberdade? É a liberdade mental, sem pudor, sem tabu, a liberdade mental que importa. E essa pode ser tão facilmente tirada, onde os nossos pensamentos deixam de ser nossos, mas de outro alguém, violentados como foram. Se nos tiram a nossa liberdade nada somos, meros corpos translúcidos de solidão eterna. Hoje foi o teu último dia em liberdade, e o copo que levavas contigo ritmou o sabor da noite quando se partiu no chão gelado de amarras mentais.

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