Sofia da Capa Negra

Por Bruno Sousa,  Pedro Silva e Ana Rita Rodrigues. Eternos amantes de Coimbra, eternos amantes da saudade.  

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Do Padrinho:

Coimbra é, e sempre será conhecida, pela cidade que liga pessoas para sempre. Ninguém quer verdadeiramente abandonar Coimbra e o que passamos nesta cidade são memórias de uma vida. Temos a sensação de compreender esta cidade, e fomos aprendendo a conhecê-la, desde os recantos secretos da Alta à Portagem numa tarde de pôr-do-sol. E devemos muito ao Mondego, que nos uniu às pessoas que nos escolheram e que, eventualmente, abriram Coimbra aos nossos olhos. Continue reading “Do Padrinho:”

Ser Jornalista

Chegou ao fim o quarto Congresso de Jornalistas, o primeiro em 18 anos, que trouxe consigo uma onda de obstáculos para os futuros profissionais do meio. Estagiários, parcialidade, dificuldades salariais, sensacionalismo. A luta é diária e o jornalismo “já não é o que era”, o perigo de se associar à profissão é constante e, acima de tudo, a valorização do jornalista está num nível nunca antes visto. E é por isso que eu quero ser jornalista. Continue reading “Ser Jornalista”

De memória embaciada

Hoje é o teu ultimo dia em liberdade. A noite chega-te fria e sufocante e os copos estão embaciados e sonolentos, as tuas amigas já saíram, já foram para as suas vidas sôfregas e amargas que tanto ansiaram com o marido imperfeito que não pediram. A bebida chega-te perto, a liberdade escasseia-te. É o teu último dia, lembra-te. E a cada golada de gelar o peito, os efeitos iam-se alterando, luzes, efeitos, o que é mau parece ser bom e cada linha de silhueta desfocava-se com o olhar baço. És agarrada, e não te importas com quem, és puxada, levada dali sem muita força, e sentes-te bem. Depois, percebes que é o teu último dia sem liberdade. Pavor, raiva, frustração sem reflexos e raiva na alma. Tarde demais, perante tamanha dor e sofrimento embutido de nojo. Liberdade? É a liberdade mental, sem pudor, sem tabu, a liberdade mental que importa. E essa pode ser tão facilmente tirada, onde os nossos pensamentos deixam de ser nossos, mas de outro alguém, violentados como foram. Se nos tiram a nossa liberdade nada somos, meros corpos translúcidos de solidão eterna. Hoje foi o teu último dia em liberdade, e o copo que levavas contigo ritmou o sabor da noite quando se partiu no chão gelado de amarras mentais.

Um ateu de visita a Fátima

26/12/2016

Hoje fui a Fátima, com os meus pais e o meu irmão, apesar de toda a minha contrariedade face à religião (toda ela, não desgosto do Budismo, mas isso é porque não a encaro como religião no seu sentido lato). Fátima é um bocado como qualquer casino de Las Vegas. As pessoas não ganham nada em lá ir, mas vão pelo prazer de serem enganadas. Nada contra, só cai quem quer, claro, ou quem esteja à beira da morte ou qualquer coisa parecida, e então esses pensam: “o que é que vou fazer para ficar melhor da saúde?” “AH, JÁ SEI! Vou descer de joelhos um passadiço gigante e dar 43 voltas à capela e pode ser que fique melhor!”. E depois acabam por morrer, claro, andaram a esforçar-se e o coração não aguenta, mas caso haja uma pessoa (!) que do nada fique melhor e se salve, FOI DEUS, FOI JESUS, NOSSO SALVADOR! Continue reading “Um ateu de visita a Fátima”

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

Olá, eu sou a Inês. Fiquei chateada contigo o ano passado porque não apareceste. Eu tinha muita fome, Pai Natal, e só te tinha pedido um pouco de comida para mim e para a minha mamã. Nós estávamos sozinhas e ninguém nos ajudava, então eu tinha-te pedido a ti, não te lembras? Fiquei triste porque não nos trouxeste nada, e nós é que precisávamos mesmo, não eram os meninos da minha escola a quem trouxeste carrinhos de brincar. Fiquei um bocado desiludida, desculpa, é que a minha mamã dizia-me que o Pai Natal era bom e reconhecia quem precisava. Continue reading “Carta ao Pai Natal”

Abraço-te com a minha capa

O melhor de Coimbra não se vê. Não está lá visível, palpável. A beleza desta cidade de estudantes não é simplesmente a vista do Penedo, o brilho do Mondego ou as folhas caídas do outono na Praça. A beleza maior que eu sinto na cidade dos amores é transmitida pelo fado, pelo ensinamento, pelas histórias. Porque nenhum dia é igual ao outro e as memórias serão eternas. Se eu hoje me sentar à mesa com um antigo universitário, irei deliciar-me com as suas histórias, e ele terá todo o prazer em contá-las. É uma jornada, um saber empírico que se vai ganhando e, mesmo sem repararmos, cresce em nós uma verdadeira paixão. Um dia, enquanto caloiro, inocente e solitário, perdi-me por Coimbra. Fui sozinho enfrentar as subidas e descidas, descobrir os recantos. Vi o Mondego, a Alta, subi até à Universidade. E sempre que faço essa jornada, nunca a consigo contar da mesma maneira. Porque cada pormenor conta, cada sítio é mágico e cada rua única. Nesse dia, enquanto caloiro, na minha primeira semana, foi só isso que eu consegui ver, um Mondego que refletia o sol, uma Alta que me deixou ofegante de tanto subir, uma Universidade sem cor. Nesse dia, Coimbra, eu perdi-me em ti. Continue reading “Abraço-te com a minha capa”

Borrões digitais

O café estava vazio. As luzes dos semáforos incidiam sobre os vidros esfumaçados do tabaco e ideias dos clientes. Buzinadelas, gritos de pressa em chegar a casa, travões. Era o hino habitual para aquela hora da tarde, quando os carros se apertavam em filas de fim-de-semana. Era já noite, as luzes eram já borrões para quem via de cima. A varanda do hotel onde estava alojado tinha vista direta para este aglomerado de confusões, contrastáveis com a pacificidade do meu quarto. À janela, apreciava o caos e desordem da estrada. As pessoas não se conseguiam ver dentro dos carros a andar, imunes ao que os rodeava, hipnotizados pela rotina. Eram um borrão na minha vida, não davam para analisar. Com as suas vidas aborrecidas e precárias, o rosto de uma cidade opulenta e capitalista. Continue reading “Borrões digitais”

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