Ode às Palavras

Palavras,
Quimeras de fogo,
Ardentes, demasiado tentadoras,
Dementes, quiçá, que invejam sentimentos
E fazem das suas presas devoradoras de momentos,
Socorro,
Elas fazem-me escrever, saem da minha mente
De forma pouco eloquente e desumana
Elevando os limites do crente à falta de querer viver,
De urbana e fácil compreensão,
Lentamente ofuscando o ser, entre mil maneiras
De pedir perdão.

Rufos batem,
De minuto a minuto,
Enquanto as palavras são muitas para descrever.
O som forte, inquietante,
Inquieta tanto que rasgo folhas para poder escrever.
E traço linhas, pontos negros, rasuras milhares,
E são minhas, contos negros, ternuras, expressares.

Por muito palavras posso escrever,
E ninguém entenderia.
Ainda ninguém entende, também.
Palavras não são fáceis de ler,
Todas têm ódio, raiva, rancor.

Palavras de amor.

E, se por muitas quimeras de fogo
E raios rompantes e cavalos alados
Forem as palavras,
Socorro.
Sou escravo de meia caneta,
Mas não socorro com fados,
E traçados errantes,
É tinta preta e versos soluçantes,
Embrenhados em vazios constantes
E becos errados.

Odeio odes. Odes de ódio.
Odes de ataraxia e ócio,
Louvores exclamativos,
Cuja única certeza é serem odes,
Ao desassossego entre os vivos.

Mas odeio por vocês,
Que me fazem odiar todas as linhas que escrevo,
E amar as que por aí li.
Palavras são dadas,
Emoções desconfiguradas pela ânsia do ler.
As que mais valem dinheiro,
São caras pelo prazer,
Que se tem poder escrevê-las.
Palavras caras são poucas
Já que nem todos podem dizê-las.

Ode(io) as palavras.

Vagas.

Frias.

Aquelas que se veem pelo olhar.

Quero palavras de mim para o mundo,
Odeio-as tanto que até as quero dar.

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Cravo

Um cano, uma flor – um cravo;
onde das pétalas emanava coragem,
vermelho-vivo amargurado;
como rainha, coroada
de música e desengano;
de caule tão fino,
e tão fino tal,
que era apenas o final.
Que bela flor que traziam,
tais canos de espingarda
nesse dia ao fim de tarde,
a nossa mais bela flor – liberdade.

Poema de estudante

Ia eu pelas ruelas da Alta

Com a calçada no olhar,

Na companhia da minha pasta,

De um copo

Do luar.

Senti-me só,

Coimbra!

Que foste fazer,

Pegaste no estudante,

Tão longe de casa, distante.

Porque te vestes de preto, Coimbra?

Que alegria há nisso?

Há algo de tão grande em ti cidade,

Na Cabra, badalante,

E o estudante, tão submisso,

Despido perante o tempo,

Que parece passar alucinante.

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