Obrigado, Salvador.

Ontem vi a Eurovisão até ao fim. Confesso que fui saltitando entre concorrentes e músicas, mas vi tudo mais ao menos sem perder grandes detalhes, e tal como todos vocês fiquei bastante contente quando o Salvador ganhou. Porque houve qualquer coisa especial na atuação dele, assim como em todas as outras atuações que já vi dele – sim, lembro-me dele nos Ídolos, sem nunca ter associado sequer. Ontem à noite vi 25 canções, todas cheias de show-off, atos teatrais e danças estúpidas. A 11ª – que número bonito! – só tinha voz, letra, melodia e encanto. Era nossa.

Primeiro, o Salvador ganhou o primeiro Festival da Canção para Portugal, algo que também acho que nunca vi. Ouvi a música dele, gostei, sem me chamar muito à atenção, conhecendo muito pouco da sua história. Lembro-me de comentar com amigos que se o Salvador fosse à final, ganhava. Muito fácil. Se a Europa viesse a saber dos problemas dele, ganhava. Não é que ganhou? Afinal, as pessoas gostam de ver o “coitadinho” a triunfar – o chamado conto da Cinderela. Vindo do nada, doente, de aspeto sujo e expressões que davam infinitos memes, foi assim a primeira vez que observei através do ecrã do meu portátil o novo vencedor da Europa. Pensei que todos fossem ver o mesmo, e aí seria a hipocrisia das pessoas a votar nele e a fazê-lo ganhar, como acontece tantas vezes. Salvador, estava enganado. Parabéns.

A tua simplicidade define quem tu és, de braço dado com essa humildade e delicadeza. A tua música é bonita, sim. Tem tudo para se tornar um dos hinos portugueses que já lá estiveram, ao nível de um “Ele e Ela” da Madalena Iglésias, de um “Um Grande, Grande Amor” do Cid ou de uma “Lusitana Paixão” da Dulce Pontes. Mas não é sobre a canção que escrevo, mas sim pela maneira gentil com que a cantas, pelo carinho que empregas nas palavras, pela felicidade ao ouvires a tua irmã cantar para aqueles que choraram ao te ouvir. Pela língua que cantas, que tão bela e diferente é. “Foda-se”, és português. Não quiseste saber de grandes festejos, meteste o “caneco” na cabeça à la Ronaldo e desfilaste em Kiev como quem viu um velho amigo ao longe. Fizeste história, e talvez nem te tenhas apercebido assim tanto. Talvez nenhum de nós se tenha apercebido assim tanto. Talvez daqui a 20 anos isto seja lembrado, como deve ser. Talvez o V Império esteja a chegar. Talvez, e só talvez, esteja a cumprir-se Portugal.

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