A noite inteira é a hora de todo o poeta

O sol, todos os dias,
Levanta-se,
Deita-se,
E por isso merece esses aplausos,
Que tanto lhe estimam.

Mas o dia é sobrevalorizado,
E é à noite que todos pertencemos,
Digo eu,
Não posso dizer mais que isto,
Porque à noite todos os gatos são pardos,
E de dia nascem cotovias.

De noite tudo é sossego, calmaria, paz,
De dia tudo é barulho, buzinadelas, alarmes.
De noite escrevem-se as baladas mais lindas,
Quando de dia se assinam as sentenças mais pesadas,
Sejam de amor ou do ódio,
Já que a noite traz ócio e harmonia,
Concubina do luar e do céu estrelado
Que aflora pensamentos e afoga desilusões.

A noite é de todos,
Não fosse o choro de uma criança a nascer,
O único grito que quebra o seu silêncio,
Ou o barulho das ondas remexidas pela lua,
De quem o sol tem vergonha de paixão
E se esconde a cada chegada.

A noite, esse ser encantado onde as histórias acontecem,
É leviana, como se o barulho de noite fosse errado.
Afinal, é de noite que se canta o fado.

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