De Portugal para o mundo.

“Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar.” 

Julio César, imperador romano, relativamente ao povo português.

Tenho orgulho em ser português. Pertencer à nação descobridora, que navegou pelos 5 mares quando ainda só haviam 3. Da nação que descobriu o Brasil antes das pessoas que lá viviam. Da nação que se manteve invicta com os ares do Norte, e que renomeou cabos para toda a eternidade. Tenho orgulho de me poder dizer português, aquele povo generoso que gosta de discutir futebol e política no café mesmo sem não perceber nada do assunto, aquele povo que bebe beirão e bagaço para curar a tosse e mete tudo o que tiver no frigorífico para fazer um cozido bem português, com muita carne e muito caldo.

Eu sou português. O povo que recebe de braços abertos todos os que só querem um copo de água, que todos os anos enche o Marquês ou os Aliados de alto a baixo para festejar uma vitória, que desde sempre sentiu saudade. Saudade, que só nós, portugueses de gema, sabemos o quanto significa, quando um dos nossos emigra, quando um dos nossos parte, quando um dos nossos manda um postal de correio. Saudade, cujo fado Amália imortalizou, que “nos faz chorar lágrimas sobre as pedras da calçada”, e que é património da humanidade apesar de só nós termos noção o quão único ele é, o sentimento que nos faz chorar por termos sido nós a cria-lo. Somos o único povo que pode chorar sem motivo.

Nós, portugueses, somos o único povo que faz churrascos para quatro pessoas e acabamos a chamar o bairro inteiro, somos o único povo que tempera a comida com cerveja e pimenta na mesma quantidade, que temos pouco tento na língua e muita vontade no corpo. Somos o único povo que demora semanas a construir um passeio para depois poder dizer mal dele, mas é calçada portuguesa e faz parte do nosso orgulho, sempre.

Somos o povo rejeitado da Europa. Os lá ponta, do país que faz parte de Espanha, os que falam mal e do que não sabem e que cheiram a tabaco e têm nódoas de vinho na camisa. Os do bigode, os que não sabem ler. Mas somos muito mais que isso, e águas passadas não movem moinhos. Sabemos o que é ser invadido, vez após vez, e resistir sempre. Lutámos pela nossa independência, tantas vezes que perdemos a conta. Lutámos contra os mouros, os espanhóis, os romanos, os franceses, os ingleses. Adivinhem? Cá estamos. Duros. O povo português é único, porque nunca ninguém nos conseguiu calar. Dizemos o que queremos, quando queremos, sem pensar nas consequências. Aquecidos por revoltas e revoluções, onde o cravo foi a nossa arma e a música a nossa entrada triunfal. Temos fogo na guelra, como se diz por aí, e ai de quem fale mal de um de nós, porque todos juntos vamos lá prestar contas. Nós, que vivemos a crise, que somos campeões da Europa, que fomos donos de metade do mundo.

Somos Portugal. Demos à luz Fernando Pessoa, Camões, Saramago! Vimos nascer Eusébio, Cristiano Ronaldo, Luís Figo. Criámos talento, demos o sabor da luta às multidões, e temos entre nós o melhor de uma nação: somos os únicos que sabemos falar de saudade. E isso basta para mostrar quem somos de verdade. De Portugal para o mundo. Nenhum português é somente português.

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