Ser Jornalista

Chegou ao fim o quarto Congresso de Jornalistas, o primeiro em 18 anos, que trouxe consigo uma onda de obstáculos para os futuros profissionais do meio. Estagiários, parcialidade, dificuldades salariais, sensacionalismo. A luta é diária e o jornalismo “já não é o que era”, o perigo de se associar à profissão é constante e, acima de tudo, a valorização do jornalista está num nível nunca antes visto. E é por isso que eu quero ser jornalista.

Porque ser jornalista é acordar todos os dias, rever o mail, preparar o trabalhar e escrever. Escrever muito. Gravar muito, editar muito, transcrever muito. Ser jornalista é duro e ninguém pensa nisso. Eu vou falar como jornalista, apesar de ser ainda somente um aspirante. Um jornalista é criticado todos os dias por não ser imparcial, quando a imparcialidade é utópica e não se encontra no nosso Código Deontológico. A honestidade é obrigatória e ocupa a posição primordial da lista, e todos os jornalistas devem sê-lo. E é isso que eu quero ser. Um jornalista trabalha todos os dias por um bem maior: dar às pessoas informação. Interpretá-la, transmiti-la. Se é difícil? Muito. E isso é um dos maiores problemas do jornalismo atual, onde o cruzamento com a web e o online podem ser favoráveis se quem escrever tiver a formação necessária, mas onde “esquadrões da verdade” nascem e distorcem cada vez mais essa informação. Vejo muitos portugueses a refutar os artigos de opinião e crónicas. OPINIÃO. PESSOAL. Todos a podem dar e os jornalistas também são pessoas. Mas isto é tudo teórico, e não é isso que quero falar.

Ser jornalista é, acima de tudo, dar o melhor de si, todos os dias. Ser jornalista é ser imparcial, ser honesto com a verdade. Ser jornalista é ler todos os dias ao pequeno-almoço. Ser jornalista é sentir um orgulho enorme em cada peça editada, em cada reportagem, em cada crónica. Ser jornalista é acordar todos os dias com uma forma de ver o mundo sem igual, e pensar nas pessoas que os vão ler, ver ou ouvir. Ser jornalista é questionar o mundo, porque nenhum de nós pensa da mesma maneira. Ser jornalista é interpretar factos, é reproduzi-los, é ouvir feedbacks, é reportar informação fidedigna. Ser jornalista é ir às fontes, é escolhê-las minuciosamente. Um jornalista importa-se com a sociedade. Um jornalista passa horas na redação ou no estúdio, para poder dar a verdade a quem se preocupa. Um jornalista erra a escrever um oráculo e o mundo cai-lhe em cima. Um jornalista é uma pessoa comum cuja profissão o obriga todos os dias a acordar mais cedo que os outros, ou a deitar-se mais tarde que a maioria, para poder ver no dia seguinte o seu trabalho impresso, com selo de verdade. E o jornalismo tem desafios, obstáculos constantes. E é essencial uma vida de aprendizagem, para podermos ser jornalistas de respeito e, acima de tudo, fiéis ao código que representamos. Um jornalista representa a sua instituição e não nenhuma outra entidade. Se há erros neste jornalismo atual? Não duvido. Falta de caráter, olhos fechados e interesses sobrepostos. Mas ser jornalista é lutar com tudo isso, ser o espelho de quem quer a verdadeira informação. E acreditem que todos os dias lutamos contra isso.

Um jornalista “publica aquilo que ninguém quer ver publicado, tudo o resto é relações públicas”. E é por frases como estas que me fazem querer ser jornalista.

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