De recorde.

Parem de pedir mais. Parem de pedir medalhas, recordes olímpicos, tudo. Quem está no Rio de Janeiro (“continua lindo”) dá o melhor de si e esforça-se todos os dias para fazer melhor, mais do que todos os que continuam no sofá a queixar-se que o Tadjiquistão tem mais medalhas que nós (é verdade).

Somos um país com pouca história no desporto, infelizmente. Porquê? Porque Educação Física não conta para a média. Porque enfraquecemos o sistema escolar todos os dias quando retiramos uma disciplina importantíssima para um aluno, que o obriga a praticar desporto duas vezes por semana. Porque Educação Física na primária já acabou, e que melhor maneira há de ensinar aos futuros cidadãos portugueses que não precisam de correr e manter-se saudáveis? Porque é que um atleta em formação tem de ir treinar às oito da noite, após um longo dia de escola, algumas vezes após ter feito meia hora de transporte públicos para chegar ao local de treino, para poder chegar a casa às onze, exausto, com uma carga horária imensa em cima? Porque é que o futebol é o único desporto apreciado por todos, jogado por muitos, e valorizado ao extremo? Temos uma equipa de basquetebol feminina nas formações que dá luta aos grandes europeus, e não vejo ninguém a noticiar isso. Temos grandes duplas de voleibol de praia, mal estimadas porque como já ouvi dizer “o único desporto que interessa é o futebol”. Porque é que um atleta federado não recebe apoios do estado? Porque é a que há tão poucas infraestruturas de altas condições a nível nacional? Porque é que nos continuamos a queixar da falta de medalhas se não fazemos nada para mudar?

Eu fui atleta federado e tenho intenção de o voltar a ser. Sei o bem que me fez os oitos anos que pratiquei basquetebol, e tenho uma vontade imensa de o voltar a praticar. Aprendi coisas que a escola não me ensinou. Aprendi disciplina, paciência. Aprendi a esforçar-me pelo que queria. Aprendi a trabalhar em equipa. Todos os que jogavam comigo aprenderam. O desporto não molda o caracter, revela-o. Sei o quanto nós, atletas, nos esforçamos. Sei o quanto lutamos. Sei o quanto valor nos dão, muitas vezes não o suficiente. Porque eu também cheguei a casa às onze da noite e fui estudar para o dia a seguir. Porque só quem corre sabe o quanto dói aquelas “pontadas”. Porque quem está nos Jogos dá o melhor de si e não merece ouvir “treinadores de bancada” a queixarem-se porque falhou uma qualificação. Porque só ficou em quarto. Quem lá está, dá o melhor por Portugal. E merecem o apoio dos onze milhões. E agora vou ver uma final dos Jogos e aconselho todos a verem e a aspirar daqui a 60 anos sermos nós a disputá-la. E pelo caminho mudar tudo o que temos feito de errado até aqui. Vamos apoiar a sério o desporto português. Somos 11 milhões e não só o futebol interessa.

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