“Não sei se volto, mas vou.”

A hipocrisia é cara e está à vista de todos. O nosso “jardim à beira-mar plantado” arde e afoga-se em chamas. É verdade, a mais triste verdade. E vejo muita gente, mesmo muita gente, a twittar #PrayForPortugal Vejo muita gente a falar mal dos incendiários, a partilhar fotos de bombeiros, a desesperar. Não fiz nada disso. Nem vou fazer. Não escrevo pelos gostos nem vou partilhar nada que não esteja de acordo. Este texto não vai mudar nada, assim como uma hashtag. Mas eu não escrevo por Portugal, escrevo pelos que lutam por ele. Escrevo ao bombeiro do nosso país. E só quero agradecer, porque nunca tive a oportunidade:

Um obrigado.

Por te levantares às 4 da manhã mal a sirene toca. Por dormires vestido e já preparado. Por ligares a sirene e avisares quem te ouve para se preparar, que o perigo está à espreita, que o fogo se levanta e não vai baixar tão cedo. Por dares a cara e muito mais pelas pessoas que, como eu, só vêm as chamas da janela. Por levantares a mão, e nós sabermos que podemos contar contigo, que nos vais proteger. Por fazeres do teu trabalho a tua vida, e das pessoas que proteges a tua família. “Alguns para todos”, como me disse um grande amigo.

Obrigado combatente do fogo, pelos momentos que sacrificas, pela vontade que demonstras e pela alma que não se apaga. Porque um bombeiro sabe que o beijo que dá na testa do filho pode ser o último. O abraço à mulher que poderá nunca mais ver. Sabe que vai para longe, para o meio das chamas, para o meio do caos, da destruição. O bombeiro, o verdadeiro herói do povo, faz 200 quilómetros de fumo negro, de mangueira na mão e suor na cara. Arrasta-se de fome, cansaço, sede. Não desiste, nunca.

Muito obrigado. Acredita que estás no coração de Portugal. Acredita que muitos ajudam, muitos tentam fazer o melhor, como tu, o exemplo que todos deveríamos ter. És tu que fazes as crianças quererem crescer e vestir o fato vermelho. És tu que te arriscas mais que qualquer profissão. És tu que lutas pelo Homem, pelos animais, e pela natureza. És tu que mais tens noção para onde vais, e continuas a ir mesmo assim. É como tu que todos deveríamos ser. E por isso eu agradeço-te. Dou-te a minha caneta e espero que entendas. Estamos todos contigo, ó verdadeiro herói de Portugal.

“Não sei se volto, mas vou.” Um obrigado, bombeiro.

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One thought on ““Não sei se volto, mas vou.”

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  1. A força do amor te acompanha sempre, ó amigo soldado da paz!
    Deus te fará, por certo voltar, para beijar, abraçar, salvar os te abrem os braços, confiantes de que lhes estenderás o escudo da esperança!
    Vai confiante, grande soldado, pois os que se encontram dependentes de ti e em ti cravam o olhar de esperança, continuam continuam aguardando a deliciosa da tua chegada.
    Vai, sem medo do medo que mais atrapalha do que acalma.
    Vai, soldado anónimo, o grande timoneiro da fé, da confiança, da coragem e do amor!
    Vai, vencerás as procelas desse mar encapelado, trajado de fogo, salvarás ainda o que resta da vida que resiste à sofreguidão das chamas e voltarás!
    Vai, soldado: com as armas da paz e amor triunfarás!

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