Valores de um campeão

Quinta-feira, dia 7 de Julho de 2016. Na ressaca das meias. Na preparação para a final. Tirem os cachecóis e os chapéus do armário se ainda não os tiraram. Vistam as camisolas e deixem o bigode. Comprem as cervejas de lata. Reclamem do trabalho e do patrão na tasca com os amigos. Não batam na mulher quando perdemos, mas sejam portugueses! Vivam o futebol mas, acima de tudo, vibrem com a maior alegria que o verdadeiro tuga patriota tem: a seleção nacional do Eusébio, do Figo, do Ronaldo e de todos nós.

Aquela seleção que joga em casa em todos os Europeus, porque tuga que é tuga não se importa de emigrar para a Suíça, Ucrânia ou Islândia desde que lá haja trabalho e comida para os filhos. E que sempre que se joga lá perto, andam 200km de carro só para poder ver o Cristiano de longe, tirar a foto da praxe com o Quaresma, pedir a camisola do Moutinho. Esforço, amor, união.

Aquela seleção que só tem duas finais, e que mesmo assim tem de quatro em quatro anos o apoio de 15 milhões de portugueses. O apoio incondicional de quem vai para as ruas queimar a buzina do carro, de quem compra um balde de tremoços para hora e meia de jogo e que oferece a todos os que estiverem no tasco. Tuga: aquele que se entusiasma tanto quando marcamos, que salta e grita e cospe as cascas e entorna a cerveja e ninguém leva a mal porque é Portugal. Solidariedade, entusiasmo, alegria.

Aquela seleção que todos os anos é subestimada, “o underdog com resultados de potência”, que junta tugas nas casas uns dos outros, só pelo prazer de gritar pela seleção. Mesmo quem não aprecia futebol, junta-se a quem gosta e festejam. A defesa do Patrício contra a Polónia, o golo do Ronaldo contra Gales, a cabeçada do Quaresma frente à Croácia. Não é preciso mais nada. Seis jogos, e tuga que é tuga continua a sê-lo. Amizade, lealdade, patriotismo.

Aquela seleção que, mesmo nunca ganhando nada, mesmo perdendo nos momentos importantes, eleva um país e eleva os seus jogadores a outro patamar. Ao patamar de excelência. Bem lá pertinho da Alemanha, da Espanha, da Itália. Porque temos o melhor do mundo, “oh captain, my captain”. Porque temos o melhor jovem potencial da Europa, e até o Bayern o sabe. Porque temos o melhor central deste Euro, o desvairado e irrascível brasileiro que é mais tuga que nós. Excelência, trabalho, dedicação.

Aquela seleção que é Portugal e é nacional. Que mostra os nossos valores. Os valores de uma inteira nação. Os valores que eu já disse e que se podem ver em tudo o quanto é sítio. Basta sair à rua, entrar no café, abraçar um amigo. Porque tuga que é tuga, sabe mostrar o seu orgulho nos 23 que lá estão fora a dar o melhor por nós. Com uma mão no caneco já. Porque só vêm dia 11 e as finais são para se ganhar. Portugal, dá o melhor de ti. Lembra-te, e como disse um dia um grande tuga: “esta fome não se alimenta com promessas, mata-se com troféus.” Boa sorte campeão.

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