Poesia

“A Cidade e as Serras”

Se subir ao campo
Vejo a cidade
E observo
As fábricas e o fumo
As antenas e o sono
A velocidade dos carros
E o barulho dos semáforos.

Se subir à cidade
Vejo o campo
E observo
As serras pelo cume,
As gentes e o riso,
A velocidade das carroças
E o barulho do vento.

Os aviões voam.
Parecem máquinas enfurecidas
Ou rastos de nuvem no céu,
Como um tiro de bisga
A velejar alto demais.

Aqui há moinhos,
E eu D. Quixote.

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Poesia

Ode às Palavras

Palavras,
Quimeras de fogo,
Ardentes, demasiado tentadoras,
Dementes, quiçá, que invejam sentimentos
E fazem das suas presas devoradoras de momentos,
Socorro,
Elas fazem-me escrever, saem da minha mente
De forma pouco eloquente e desumana
Elevando os limites do crente à falta de querer viver,
De urbana e fácil compreensão,
Lentamente ofuscando o ser, entre mil maneiras
De pedir perdão. Continuar a ler

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Arquivo, Crónicas

Conselhos de um ex-caloiro II

Parabéns caloiro. Chegaste ao fim do teu primeiro ano. Do teu melhor ano. Espero que te lembres do que eu disse. E que todos esses jantares, esses cafés, dias perdidos à noite, finos, estudos, conversas de horas a fio e abraços sentidos, todos esses, espero que se tornem das tuas melhores memórias. Que possas ir dormir à noite sabendo que não deixaste nada para fazer, e que a cada dia que passa vais fazendo cada vez mais parte da cidade que te acolheu. Como eu te disse. Continuar a ler

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Arquivo, Crónicas

E de tanto gritar, vira-se cantor

Pergunto, a quem quer que tenha alguma vez visto um despique, ou mesmo uma simples praxe, se há algo que seja tão intenso como um curso inteiro a cantar. Ou, como se diz, a berrar, alto e bom som, tentando gritar mais alto que todos os outros, até se ficar rouco e vermelho de tanta garra. Não há quadro mais bonito na Praxe, para além do típico traçar da capa e Serenatas. Quando as vozes nem se afinam nem sintonizam, quando tudo pode correr mal e nem costuma correr bem, quando se vê as veias na garganta de tanto puxar uma música – é um momento mágico. Onde o que mais importa é berrar pelo curso, deitar tudo para fora, tripas, sangue, coração. Quando se bate no peito porque não se consegue exteriorizar mais o que se sente. Continuar a ler

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