Repara Bem No Que Não Digo

Nunca faço nem metade. Nem hoje, nem amanhã. Escrevo meias-verdades ou meias-mentiras mas também só escrevo meia folha, cheia de Opinião e completamente acrítica. A verdade é que a opinião é uma página vazia que todos temos e que ninguém lê. O pouco de Cultura que mostro é inútil e desinteressante, acreditem, não fosse a cultura apenas um pedaço da caneta. Já o Humor, esse sim, é tinta preta a correr para espelhar a nossa solidão. E o Desporto, que mostra o quão primitivos somos e é braço armado de esferográfica, transmite a minha pouca cultura e humor em meias-folhas de opinião. Mas, sendo eu um académico ainda por formar e um literal amante de Coimbra, sinto-me obrigado a escrever pela Universidade e pela vida errante das minhas memórias. Nunca faço nem metade. Gastava meia-caneta se escrevesse à mão, assim gasto meia-hora onde abro as ideias e tento meter Opinião, Crónica e Poesia em meia-página. E mais ainda! Para quem tenta ler, “repara bem no que não digo”.

 

A frase que dá o título a este blogue é da autoria do poeta brasileiro Leminsky, e só significa que eu não digo coisa nenhuma de jeito.

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“Being in a minority, even in a minority of one, did not make you mad. There was truth and there was untruth, and if you clung to the truth even against the whole world, you were not mad.”

in 1984, de George Orwell

Obrigado, Salvador.

Ontem vi a Eurovisão até ao fim. Confesso que fui saltitando entre concorrentes e músicas, mas vi tudo mais ao menos sem perder grandes detalhes, e tal como todos vocês fiquei bastante contente quando o Salvador ganhou. Porque houve qualquer coisa especial na atuação dele, assim como em todas as outras atuações que já vi dele – sim, lembro-me dele nos Ídolos, sem nunca ter associado sequer. Ontem à noite vi 25 canções, todas cheias de show-off, atos teatrais e danças estúpidas. A 11ª – que número bonito! – só tinha voz, letra, melodia e encanto. Era nossa. Continue reading “Obrigado, Salvador.”

Obrigado, Benfica

Como é bom acordar e dizer que sou tetra.

Nasci nos anos 90, e sempre vibrei com o clube do meu coração. Sempre me sentei em casa ou no café e bati palmas a cada golo, levantei-me a cada defesa e vivi intensamente cada época. Lembro-me, enquanto miúdo, de ver o Miklós a cair por terra agarrado ao manto sagrado. Lembro-me da morte do Rei Eusébio, lembro-me de todos os campeonatos que festejei e de todos as alegrias e choros e abraços sentidos. E a magia dos jogadores que por ti passaram… todos os que vestiram o glorioso encarnado e beijaram o emblema que trazem ao peito, como o nosso capitão fez hoje. Lembro-me de ter nascido Benfiquista – e é assim que vou morrer. Continue reading “Obrigado, Benfica”

Cravo

Um cano, uma flor – um cravo;
onde das pétalas emanava coragem,
vermelho-vivo amargurado;
como rainha, coroada
de música e desengano;
de caule tão fino,
e tão fino tal,
que era apenas o final.
Que bela flor que traziam,
tais canos de espingarda
nesse dia ao fim de tarde,
a nossa mais bela flor – liberdade.

Conselhos de um ex-caloiro II

Parabéns caloiro. Chegaste ao fim do teu primeiro ano. Do teu melhor ano. Espero que te lembres do que eu disse. E que todos esses jantares, esses cafés, dias perdidos à noite, finos, estudos, conversas de horas a fio e abraços sentidos, todos esses, espero que se tornem das tuas melhores memórias. Que possas ir dormir à noite sabendo que não deixaste nada para fazer, e que a cada dia que passa vais fazendo cada vez mais parte da cidade que te acolheu. Como eu te disse. Continue reading “Conselhos de um ex-caloiro II”

O melhor de dois mundos

Sempre fui um interessado por música e, ainda mais, por poesia. A poesia que eu lia por aí sempre me deu um gozo desmesurado de ler e de ouvir, acompanhada de música variada. Lia um pouco de tudo e gostava, ainda que quisesse mais. E, como uma sample conhecida por aí diz, “cada um é alvo incessante das suas influências (…) e entre as influências há as boas e más, negativas e positivas.Continue reading “O melhor de dois mundos”

E de tanto gritar, vira-se cantor

Pergunto, a quem quer que tenha alguma vez visto um despique, ou mesmo uma simples praxe, se há algo que seja tão intenso como um curso inteiro a cantar. Ou, como se diz, a berrar, alto e bom som, tentando gritar mais alto que todos os outros, até se ficar rouco e vermelho de tanta garra. Não há quadro mais bonito na Praxe, para além do típico traçar da capa e Serenatas. Quando as vozes nem se afinam nem sintonizam, quando tudo pode correr mal e nem costuma correr bem, quando se vê as veias na garganta de tanto puxar uma música – é um momento mágico. Onde o que mais importa é berrar pelo curso, deitar tudo para fora, tripas, sangue, coração. Quando se bate no peito porque não se consegue exteriorizar mais o que se sente. Continue reading “E de tanto gritar, vira-se cantor”

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